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A Cadeira, o Ovo

Durante vários anos, os estilistas contemporâneos de design dinamarquês permaneceram na sombra do Danish Design, apelação genérica, cuja imagem o tempo tinha fixado e consagrado. Mas eis que uma nova geração de talentosos estilistas sai da casca do ovo e aparece à luz do dia, e o mundo vai redescobrindo com interesse o novo design dinamarquês.

De Jeppe Villadsen

É possível que o interesse nunca tenha desaparecido, só se terá tido essa impressão. O mundo tinha o olhar fixado no design clássico do tempo em que as palavras “Danish Modern” se encontravam na boca de todos, com uma tendência para ignorar as gerações contemporâneas de estilistas. Danish Design se tornou sinônimo do funcionalismo dos anos 1950 e 1960, ou seja, o período em que os móveis tinham nomes como “The Egg” (O Ovo), “The Swan” (O Cisne) e “The Ant” (A Formiga), que são cadeiras modernas do arquiteto visionário Arne Jakobsen. Foi especificamente através do design de mobílias que Danish Design se estabeleceu mundialmente com tal sucesso que os jovens estilistas permaneceram na sombra dos mestres dinamarqueses.
Já não é o caso.

Recentemente uma nova geração de design, Made in Denmark, conseguiu pouco a pouco conquistar um lugar na frente da cena internacional – nomeadamente por causa de um forte desejo de fazer experiências e de desafiar a percepção comum de como as coisas deveriam ser.

The eggDanish Design do período criativo “Danish Design” continua na lista das melhores vendas. Nesta imagem se pode ver a cadeira de Arne Jacobsen “The Egg” (O Ovo) do catálogo do fabricante Republic of Friitz Hansen.

 

Uma sobriedade segura com seu traço certeiro

A força do design dinamarquês está em seu traço seguro, evitando exageros de interpretação e no design. Trata-se de uma aproximação controlada e discreta, mas confiante e convincente. O Danish Design é raramente vistoso ou visualmente dramático, o que encaixa bem com os tempos atuais a seguir à crise financeira internacional, caraterizados por uma nova austeridade com um nível do consumo um pouco contido, e com uma atenção especialmente dedicada ao meio ambiente. Sustentabilidade é uma parte integrante da longa tradição do Danish Design, antes de este se tornar moda, graças à simplicidade e especialmente a outra caraterística rara: Danish Design é duradouro.

“Um dos pontos fortes dos estilistas dinamarqueses é sua paixão por materiais naturais, a sua alta qualidade e uma atenção especial dada à forma ergonômica. Como exemplos se podem mencionar Stelton e Eva Trio, duas marcas de renome de excelentes produtos conhecidos em toda a parte”, comenta Arturo dell’Acqua Belavitis, diretor da Faculdade de Design de Milão e  conhecedor apaixonado por design, tanto dinamarquês como italiano.

“Na Dinamarca, design é uma tradição nobre que data de meados do século passado. Este país tem ótimas escolas de design e excelentes jovens estilistas cheios de entusiasmo. Está no vosso ADN e na vossa tradição de conceber cidades, móveis e diversos produtos. Em suma, Danish Design tem uma reputação fantástica, e está na hora de a Dinamarca estar representada no Design Show de Milão“, prossegue Arturo dell'Acqua Belavitis, que pensa que a Dinamarca não promove suficientemente seus estilistas no estrangeiro. E acrescenta:

“Nota-se atrás de tudo isto uma dimensão social, que tem em conta diferentes tipos de população, e baseada no fato de a Dinamarca ser uma sociedade muito igualitária.”

Bau Large
Bau é um candeeiro suspenso escultural, com personalidade, que combina cores, composição e formas geométricas, concebido por Vibeke Fonnesberg Schmidt, um design único e criativo.